terça-feira, 28 de julho de 2015

A cada ano o descaso é o mesmo

Reforma-se a cancha de rodeios do parque da Harmonia para os festejos farroupilhas e, no ano seguinte, tem que se repetir o trabalho, pois o vandalismo é muito grande

Criado na década de 80 o Parque da Harmonia é um pedacinho do interior gaúcho no coração da capital. Ali acontece o acampamento farroupilha, o maior evento da cidade e já serviu de modelo para o surgimento de outros pelo estado.
Na área chamada “fazendinha” existe a cancha de laço onde, anualmente, acontece o rodeio da semana farroupilha. O problema é que todos os anos há um gasto para reforma das mangueiras, portões, casa de narradores, dos juízes, brete de solta, piso onde o gado passa, tanque de agua entre outros, que sofrem vandalismo e tem que ser refeitos.

Durante os preparativos para o acampamento extraordinário para a copa do mundo, em 2014 (junho/julho), Jair Martins, diretor campeiro da 1ª região tradicionalista, coordenou as reformas da cancha de rodeio para deixar pronto para o evento. Fez uma reforma geral, deixando dentro do que é exigido pela lei. O local ficou bom e foi usado inclusive na semana farroupilha, no mês de setembro. “Reformamos tudo, arrumamos e deixamos funcional. Agora chegamos aqui o piso tá quebrado, tiraram os portões do brete, faltam tábuas ao redor, casa do narrador sofreu principio de incêndio, tem partes queimadas, portão do corredor quebrado, os tanques estão sem torneiras e mangueiras, teremos de refazer tudo novamente”, lamenta Martins.
O Parque é publico e outras atividades acontecem, bem como, a presença permanente de moradores de rua. O que se lamenta é que, anualmente, o trabalho todo deve ser refeito por que não se sabe de quem cobrar o cuidado com esse patrimônio dos gaúchos.

sábado, 25 de julho de 2015

Democracia pampeana

           Começamos olhando as fotos e vendo a quantidade de jovens frequentando a 81ª Convenção Tradicionalista, que aconteceu na Assembleia Legislativa, na capital do estado, no sábado, 25 de julho. Sorrisos, trocas de WhatsApps, abraços em amigos distantes, este era o clima na entrada do saguão da casa dos gaúchos.
            O credenciamento encerrou na quarta, dia 22, feito pela primeira vez exclusivamente pelo site. Coordenadores e Conselheiros credenciados automaticamente, a modernidade que chegou, como previa Barbosa Lessa.
            Após a abertura oficial prendas e peões saíram com os jovens e dividiram por categoria para debates, conversas e para se conhecerem melhor. É o momento em que muitos já mostram a preparação que as atividades culturais desenvolveram em suas vidas ao longo das gestões.
            A previsão inicial era que não se conseguiria terminar os debates das proposições neste sábado, dado o número de trabalhos que chegaram. Uma a uma foram sendo debatidas, replicadas, votadas, até se esgotarem as possibilidades. E este fórum de democracia pampeana pode ser visto ao vivo, sem nada para esconder, pela rede mundial de computadores, através da Tv Tradição.
            Tão democrático foi o debate que, ao chegar uma proposta para a modalidade vaca parada, sobre distanciamentos para as armadas, o presidente chamou crianças, pequenos laçadores ao palco que deram a sua opinião. Plenária cheia, os dois ainda envergonhados disseram preferir como estava. E a votação acompanhou a vontade de quem realmente pratica a modalidade.
           Foi ainda na convenção que, mesmo não sendo regulamentar, mas uma pratica de várias gestões, o presidente Manoelito Savaris, lançou, em nome do atual Conselho Diretor e da Diretoria, o nome de Nairo Callegaro, seu vice-presidente de administração e finanças para concorrer ao pleito de janeiro, no congresso tradicionalista, em Bento Gonçalves, á presidência do MTG. O Coordenador da 1ªRT, José Arnildo de Mello, e o vice, Francisco Lopes, foram ao palco dar o apoio total ao ex-coordenador da 1ªRT.

            Aos poucos o regulamento campeiro foi sendo vencido, apesar de ter entrado em grande parte da tarde.
            Depois foi a vez do  ENART, onde se destaca a retirada do SAT (Seminário de Aperfeiçoamento Tradicionalista) do regulamento. E por  coincidência foi na Assembleia Legislativa que aconteceu o 1º SAT, em 2003, com mais de 700 participantes.
           E por último foi colocado em pauta o regulamento cultural envolvendo a ciranda e o entrevero de peões, que também, passo à passo foi sendo vencido.
           A próxima convenção será na cidade de Cruz Alta, em 2016.



          Carlos Volkart, ex-coordenador da 22ªRT e Conselheiro do MTG foi apresentado como o mais novo Conselheiro Benemérito do Movimento Tradicionalista Gaúcho. 
       




          Autoridades que se fizeram presentes na abertura da 81ª Convenção Tradicionalista, na Assembleia Legislativa, como o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Mello, o Secretário da Cultura do RS, Victor Hugo e o Deputado Federal, Pompeu de Mattos. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O Gaúcho como Patrimônio Imaterial da Humanidade

            MTG apoia iniciativa que busca reconhecer a figura do gaúcho como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

           O Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul é solidário ao projeto empreendido por sociedades tradicionalistas e crioulas de Brasil, Argentina e Uruguai, que fecharam um acordo para trabalhar no sentido de que a figura do gaúcho seja declarada Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco. 

          A iniciativa foi lançada no final de semana, quando aconteceu em Montevidéu, no Uruguai, o Congresso Internacional da Tradição Gaúcha, no qual o MTG esteve representado pelo presidente Manoelito Savaris e demais tradicionalistas. 

          No Uruguai o projeto já foi apresentado ao Ministério da Educação e Cultura, onde foi aconselhado a trabalhar conjuntamente com Brasil e Argentina na elaboração da proposta de Patrimônio da Humanidade.
           
          No Brasil, o presidente da CBTG (Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha), João Melo, levará a pauta ao deputado Carlos Marun, que coordena a formação da Bancada do Gauchismo, para que a proposta seja da Bancada.
Por Sandra Veroneze
Assessora de Imprensa MTG

2º Encontro de Promotores de Rodeios do Rio Grande do Sul - Parque da Harmonia, em Porto Alegre

           Nesta manhã de sexta-feira, 24 de julho, a estancia da Harmonia amanheceu repleta de tradicionalistas vindos de cada canto do Rio Grande. Está sendo realizado no Centro de Eventos da Cultura Gaúcha, Almir Azeredo Ramos, o 2º Encontro de Promotores de Rodeios do Rio Grande do Sul.
            Inscreveram-se mais de 700 pessoas para participarem do evento, estima-se que estejam presentes no centro de eventos em torno de mil pessoas, tendo em vista a lotação das cadeiras e mais a galeria (mesanino) do local. Até as 10h ainda estava chegando mais comitivas.
            Na abertura oficial, o Presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho, Manoelito Carlos Savaris, deu as boas vindas e destacou a importância do encontro para sanar as dúvidas daqueles que fazem a verdadeira tradição gaúcha se movimentar pelo mundo, que são os tradicionalistas.
             Savaris enalteceu a convivência entre gerações promovidas pelos rodeios e pelas atividades afins do tradicionalismo que permite que o neto vista-se igual ao seu avô, e que não podemos nos dobrar aos modismos, por que as coisas que a moda lança viram descartáveis. Citou o exemplo dos celulares, visto que hoje ninguém mais concerta, simplesmente jogam fora e compram um novo.
           Já na primeira conversa da manhã a secretaria de agricultura do estado começou a falar sobre as doenças e, em especial, o "mormo", que tem trancado os rodeios em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 
           A programação se estenderá até as 17h.

           As imagens permitem uma visão mais ampla do número de pessoas que estão no centro de eventos do Parque da Harmonia. Promotores de Rodeios, Festas Campeiras e Torneios de Laço grandes, médio, pequenos, independente do tamanho, todos tem uma grande importância na manutenção das tradições Gaúchas. 






quarta-feira, 22 de julho de 2015

Mais alguns momentos dos cavalarianos transportando a Chama do Uruguai até o Chuí

          Após uma pausa, no Parque Roosvelt em Montevidéu, os cavalarianos que conduzem a Chama, seguem a marcha.
          A imagem é do ato solene na praça do Obelisco aos Constituintes de 1830, após o desfile.

          O grupo de cavalarianos que transportam a Chama Crioula em direção ao Chuí, saíram do Parque Roosevelt, no Uruguai, com temperatura de zero grau.
Chegaram em Empalme Olmo.
A todos, desejamos saúde e paz!
fotos: Pedro Milton Couto

terça-feira, 21 de julho de 2015

Editorial do Presidente - A Chama Crioula e a história do gaúcho

            O acendimento anual da Chama Crioula marca o início das atividades comemorativas da Revolução Farroupilha, o que atualmente denominamos “festejos farroupilhas”. Trata-se de momento importante e com alto grau de significação, mesmo porque o local escolhido é sempre um ponto histórico e que se presta a estudo e reflexão.

            Neste ano de 2015 o acendimento ocorreu no sítio histórico da Colônia do Santíssimo Sacramento, hoje cidade de Colônia no Uruguai. Quem esteve na cerimônia, no dia 12 de julho, sentiu a emoção de estar participando de um momento único e transcendente. A presença dos cavaleiros, o fogo crepitando no centro da praça maior, as pessoas emocionadas, tudo contribuiu para que pudéssemos realizar um ato histórico importante. No entanto, isso que fizemos, mais a cavalgada de Colônia ao Chuí, o desfile em Montevidéu e tudo o mais que ainda será feito, precisa servir para melhorar nosso conhecimento sobre o gaúcho, sua história e a herança cultural que recebemos.

            Fernando Assunção, um dos maiores historiadores do Uruguai, escreveu: “Conhecer o gaúcho é como por a mão sobre o peito aberto da pátria, sentir viva e quente a batida de seu coração”. Isso serve para todos que se sentem parte daquilo que se tem denominada “pátria gaucha ou gaúcha”.

            O mesmo historiador, em seu livro “El Gaucho”, afirma que “el gaucho es el producto axial de la cultura ganadera cimarrona de las pampas húmedas atlántico-platenses en la América del Sur. Es el habitante de la última gran frontera que constituyó dicha región”. Há quem diga simplesmente: “o gaúcho é filho do boi”.

              Não há dúvidas de que a estrutura social e cultural da pampa é uma consequência dessa atividade humana centrada na caça e depois na criação e exploração do gado vacum, sempre utilizando como meio de locomoção o cavalo.

            Aceitando essas premissas, voltamos à Colônia e lembramos que foi lá o surgimento dos primeiros gaúchos de influência portuguesa. O gaúcho com influência espanhola já tinha aparecido no Paraguai e na Argentina. Entre o surgimento de Colônia, 1680, e a fundação do Forte Jesus-Maria-José, 1737, há duas gerações de homens e mulheres de várias descendências (charruas, minuanos, guaranis, espanhóis, portugueses, mamelucos brasileiros e platinos) espalhados por um largo território que passou a ser disputado entre as duas coroas ibéricas.

            Cristóvão Pereira de Abreu – primeiro tropeiro do Rio Grande – levou as primeiras tropas de gado para o centro do Brasil, saindo de Colônia. Isso antes de haver qualquer ocupação portuguesa em território sul-rio-grandense. O Gaúcho nasce antes do Rio Grande. O gaúcho que cultuamos, que idealizamos, que cantamos e decantamos, nasce na pampa – esse espaço físico, sem delimitação precisa, que traz em si conceitos de apego à terra, de liberdade, de valentia, de guerra, de cavalo e de muito boi – se forma, se consolida e se transforma. O Gaúcho original não existe mais, não por ter desaparecido como ocorreu com o povo charrua, mas por ter se adaptado e se transformado. Daí a convicção de que o gaúcho de hoje é um conceito cultural. É produto de uma história única que teve a participação de várias culturas no momento da formação e que assimilou outras (especialmente a açoriana, a alemã e a italiana) no período de transformação que sucede a Revolução Farroupilha, episódio fundador da identidade da sociedade sul-rio-grandense.

            A Chama Crioula de 2015 que vem abençoada pelo Patrono do festejos farroupilhas Pe. Amadeu Canellas, quando chegar às praças públicas, aos CTGs, às escolas, aos acampamentos do Rio Grande do Sul, deve ser saudada como a representação da história do gaúcho que brotou da terra, que nasceu da pampa, que fez pátria entre Colônia e Laguna.

Manoelito Carlos Savaris

Presidente do MTG

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Cavalgada da Chama - Dia de descanso

           O grupo de cavalarianos que conduz a Chama Crioula, permanece em Montevidéu, no parquet Roosevelt.
           Dia com sol, frio e vento. Dia de descanso e de organização no acampamento.
Fotos enviadas por Pedro Couto